Há nomes de origem latina que são um bocado pesados. Depois, há outros que parece que têm mel, tamanha é a sua suavidade. É o caso de Flávia que eu consideraria um par perfeito para Lavínia, por exemplo. O problema? Em Portugal, usou-se com algum relevo na década de 80 e início dos anos 90, o que faz com que pareça algo datado. E essa lição já está bem estudada: nesta coisa dos nomes, o tempo sobrepõe-se sempre à beleza.
Flávia, tal como Flávio. remete-nos para um gentílico romano, ou seja, era um nome de família. No caso, era o nome de família de um Imperador, Tito Flávio Vespasiano, que comandava o império quando estes encontraram um local, na Galécia, com águas abundantes e quentes. Aquele espaço pareceu-lhes tão relevante que decidiram homenageá-lo com o nome de família do imperador, dando origem a Aquae Flaviae, hoje conhecida como cidade de Chaves. E assim se explica por que motivo os habitantes de Chaves são Flavienses. Quanto ao significado, tudo indica que remete para "amarelo" ou, por associação, para "loiro".
E voltando ao seu uso em Portugal: os dados que o IRN me forneceu indicam que, em 1990, foram registadas 334 meninas com este nome, o que corresponderia ao 45.º nome mais usado. No ano seguinte, o número desceu para metade mas, em 1993, houve um pico de popularidade e Flávia saltou para a 34.ª posição, chegando aos 432 registos. Possível explicação? Flávia era o nome protagonista da novela brasileira Despedida de Solteiro, transmitida em Portugal pela RTP1. Hoje em dia, tanto Flávia como Flávio estão abaixo dos 20 registos anuais. Em 2015, Flávia ficou-se pelos 14 registos, estando fora do top 100 desde o ano de 2006.
